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quinta-feira, 18 de abril de 2013

OS POLOS QUE NOS NORTEIAM


Eu posso achar que alguma coisa é má, ou que alguém é mau
Me emocionar por uma coisa boa, ou uma pessoa de bem
Posso reclamar de ter tido azar em alguma coisa e ficar feliz por ter sorte em outra
Ás vezes, posso estar bem de saúde ou ficar muito mal
Posso proclamar que a vida é bela, e que mentir é feio
Posso considerar os infinitos “tons de cinza” em vez de apenas o preto e o branco
Me pego evitando odiar, por simplesmente ser mais gostoso amar
Tenho a preciosa noção da grande sorte de estar vivo, e isso a morte só valoriza.
Quando jovem, me ensinaram a ter fé em um Deus, hoje minha razão excluiu até o diabo
Não acho que alguém vá para algum céu, nem imagino que louco Criador faria um inferno
Aliás, qual o propósito da crença, se sou amigo da verdade, encontrada somente na confirmação (ciência)?

Tudo se resume a querer saber, ou deixar pra lá, se ligar na fita ou “boiar”...
SOU CURIOSO, PÔ! NÃO TENHO CULPA DE QUERER SABER!
Concluo porquê sou obrigado, já que aprendi.
Logo, sou descrente por conclusão, já quem tem fé, foi por escolha!
Dessa maneira, jamais mudarei, já o que tem fé, ainda pode aprender...

Não existe o bem, não existe o mal. Apenas o bom e o mau.
Não existe sorte nem azar, as coisas apenas ocorrem.
Bela é a existência, feia é a crendice.
Não existiria o branco nem o preto, sem o outro para comparar.
Assim, como sem o nada, o tudo seria ilógico.

No universo, não existe amor, mas ele está dentro de mim.
Assim como o ódio também poderia, mas não está.
Rótulos que criamos ao tentarmos entender a vida.

Não temos o vocabulário necessário. Tosco é o entendimento.
Não há deuses nem demônios, nem milagres nem maldições
Apenas a luz e a sombra, em seus infinitos tons de cinza
E o mistério insolúvel de estarmos aqui...

Deslumbrado com a verdade, fica aquele que costuma pensar

Tudo é lindo, já disse mais de um poeta


sábado, 19 de maio de 2012

A MORTE DE TODOS NÓS

Vivemos num mundo onde as comunicações nos inundam com notícias horríveis, com mortes anunciadas muitas vezes ao vivo, nos tornando talvez adormecidos ao sofrimento humano exibido. Nos pegamos aparentemente mais frios, já que todo dia, durante o jantar, nos habituamos a ver a tragédia dos outros, lá detrás do vidro da telinha da tv, e nos perguntamos se ainda temos alguma empatia, se ainda temos sentimentos, já que logo partimos para o fim da nossa refeição e o início do próximo programa. Nem nó na garganta temos mais como antes.

Mas... a empatia está lá. Muitas vezes queremos achar que não, mas de vez em quando constatamos que ela está lá sim! Basta morrer um conhecido nosso, um amigo ou um vizinho, deixando seus familiares desesperados com tamanha e ignominiosa tragédia.

Morreu um amigo meu de infância, talvez não o que mais compartilhou lembranças comigo, nem o maior deles, mas entesouro vários bons momentos, mesmo mais de 30 anos depois.
Deixou 3 amorosas filhas, mulher e muitos amigos e parentes embasbacados.
É óbvio que o baque de sua perda em mim foi grande, mas maior ainda é a tristeza de ver suas 3 filhas e sua mulher destruídas e inconsoláveis.
O maldito câncer estava lá também. Implacável. Silencioso. Doloroso. Nem deu tempo para tratar. E o pior é que o cara vivia fazendo check-ups. Tinha o maior cuidado de pagar planos de saúde e freqüentá-los periodicamente, pois sendo um pai responsável, queria obviamente viver mais e melhor com sua bela família. Não deu.

Não dá para conceber lógica alguma possível!

Para meu descrente ponto de vista, mais provas da ausência da providência divina. Não adianta! Minha mente friamente conclui que simplesmente NÃO PODE HAVER DEUS! Principalmente aquele bíblico, apático, ridículo, ausente. Aquele que tudo pode, e tudo deixa acontecer. Dane-se a eternidade! Não pedimos para nascer, e preferimos ser felizes aqui e agora.
Mas nesse caso, todas as vezes que iniciei o choro, foi pensando nos vivos. Nos vivos que sofrem com a ida dos entes queridos.

Querido amigo: Desculpa se resisti ao choro pela sua morte precoce, mas deves entender que o pior é a sua falta para os que te amam.
Você já descansou, e a gente aqui nesse mundo, sentindo a sua falta e aguardando nossa vez, ainda não.

PAX AETERNA!