sábado, 19 de maio de 2012

A MORTE DE TODOS NÓS

Vivemos num mundo onde as comunicações nos inundam com notícias horríveis, com mortes anunciadas muitas vezes ao vivo, nos tornando talvez adormecidos ao sofrimento humano exibido. Nos pegamos aparentemente mais frios, já que todo dia, durante o jantar, nos habituamos a ver a tragédia dos outros, lá detrás do vidro da telinha da tv, e nos perguntamos se ainda temos alguma empatia, se ainda temos sentimentos, já que logo partimos para o fim da nossa refeição e o início do próximo programa. Nem nó na garganta temos mais como antes.

Mas... a empatia está lá. Muitas vezes queremos achar que não, mas de vez em quando constatamos que ela está lá sim! Basta morrer um conhecido nosso, um amigo ou um vizinho, deixando seus familiares desesperados com tamanha e ignominiosa tragédia.

Morreu um amigo meu de infância, talvez não o que mais compartilhou lembranças comigo, nem o maior deles, mas entesouro vários bons momentos, mesmo mais de 30 anos depois.
Deixou 3 amorosas filhas, mulher e muitos amigos e parentes embasbacados.
É óbvio que o baque de sua perda em mim foi grande, mas maior ainda é a tristeza de ver suas 3 filhas e sua mulher destruídas e inconsoláveis.
O maldito câncer estava lá também. Implacável. Silencioso. Doloroso. Nem deu tempo para tratar. E o pior é que o cara vivia fazendo check-ups. Tinha o maior cuidado de pagar planos de saúde e freqüentá-los periodicamente, pois sendo um pai responsável, queria obviamente viver mais e melhor com sua bela família. Não deu.

Não dá para conceber lógica alguma possível!

Para meu descrente ponto de vista, mais provas da ausência da providência divina. Não adianta! Minha mente friamente conclui que simplesmente NÃO PODE HAVER DEUS! Principalmente aquele bíblico, apático, ridículo, ausente. Aquele que tudo pode, e tudo deixa acontecer. Dane-se a eternidade! Não pedimos para nascer, e preferimos ser felizes aqui e agora.
Mas nesse caso, todas as vezes que iniciei o choro, foi pensando nos vivos. Nos vivos que sofrem com a ida dos entes queridos.

Querido amigo: Desculpa se resisti ao choro pela sua morte precoce, mas deves entender que o pior é a sua falta para os que te amam.
Você já descansou, e a gente aqui nesse mundo, sentindo a sua falta e aguardando nossa vez, ainda não.

PAX AETERNA!