sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A PARÁBOLA DO CRIADOR

REPRESENTAÇÃO DE DEUS CRIANDO O HOMEM - PINTURA DA CAPELA SISTINA POR MICHELÂNGELO

A PARÁBOLA DO CRIADOR

Imaginem uma pessoa sozinha no mundo.
Esse mundo inteiro é dela, pois é a única soberana.
Rei dela mesma em todo seu contentamento.

Mas, talvez por capricho ou tédio, talvez só porque queira, ele resolva CRIAR uma colônia de fungos, e vendo que era bom, resolve que eles PRECISAM saber de sua bondade e existência (Por quê? Orgulho, vaidade? Vai saber!).

Para isso, prepara um fungo especial, cultivado de sua pele, bem poderoso, e o introduz para que ele leve uma mensagem à colônia: A de que existe um criador bondoso, e sua esperança é que todos acreditem nisso.

Como muitos não acreditam, pois terminam inventando outros criadores, por pura burrice, maldade ou cegueira, nosso solitário resolve dar uma lição gravíssima: Cria um local fervente, onde todos os que não captarem a mensagem de sua existência, queimarão impiedosamente, se possível fosse, pela eternidade (Nossa! Quanta ira por tão pouco! Esse cara tem problema!).

Seu fungo especial é morto, como planejado, deixando uma mensagem de sacrifício, que deve comover a todos, convencendo-os da existência do criador e de seu amor e poder infinito.

Nosso ser solitário vê pelo seu microscópio que aquela raça de fungos não se entende muito bem.

Eles mentem, roubam, estupram, matam uns aos outros, e somente grupos específicos, felizmente uma maioria de 95%, por acreditarem no criador é que evitam tomar parte da barbárie.

Esses não queimarão no final de suas vidas, mesmo que não cometam erros por puro medo ou respeito.

Curiosamente, outros grupos bem menores, terminam sendo bastante virtuosos e até bondosos, pois possuem um código moral perfeito, de não praticar o mal, ensinar o bem uns aos outros, e aproveitarem suas curtíssimas vidas de fungo.

A maior diferença é que esses não acreditam num criador externo.

Nosso solitário resolve que esses grupos de infiéis merecem queimar!

Onde já se viu duvidar que alguém os criou? Só porque não há evidências científicas? Que fungos arrogantes!

"-Não adianta! Não quero que a salvação seja por mérito!”. – Pensou o solitário.

Pode ser o fungo mais educado, o mais amoroso pai, o maior benfeitor, pode nunca ter feito mal nenhum para ninguém nem a nada, mas se não acreditar no solitário, precisa queimar!

Por outro lado, por pior que seja o fungo, por mais assassino cruel que ele seja, mesmo que estuprador ou patricida, mentiroso ou covarde, se ele achar que o solitário existe, ele será poupado nem que seja no último minuto!

Assim deseja o solitário. Assim tem que ser as leis da colônia que ele criou. Essa é a sua lógica. Engulam!

É claro que se em vez de solitário, tivesse mais alguém no mundo, provavelmente esse ser teria mais o que fazer, senão, certamente ele seria levado à força para um tratamento, quem sabe uma boa análise...

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